O nosso país constitui, de há muito, um exemplo tristemente esclarecedor
da sanha descontrolada de antipatrimónio. As fases subterrâneas da
História portuguesa pululam de ondas de descaracterização, de desleixo e
de abandono de parte da sua memória arquitetónica, outrora
significativa, que pura e simplesmente é deixada em estado de silenciosa
agonia, em nome de uma ideia abastardada de progresso.
Não só as guerras e as catástrofes naturais, os megassismos e os
incêndios, as invasões estrangeiras e as fases de conturbação intestina,
os maus restauros e as ondas de iconoclastia, contribuíram para essa
perda do património comum, mas também a inconsciência das tutelas, a
ambição de especuladores sem escrúpulos, a desmemória de muitas
comunidades e a falta de instrumentos legais de preservação e de
salvaguarda. Destes pequenos-grandes crimes de lesa-património falam os
exemplos aqui reunidos.