Adágio: o adagium latino formou-se a partir de ad' + aio, tendo o " aio " o significado de, entre outros ; o « dizer que sim » « afirmar » « estatuir » « afirmar » e mesmo « determinar » isto é, algo a que é preciso dar a maior atenção.

25/05/2026

A VIOLÊNCIA POLÍTICA

 

Autora. Suzanne Labin

Título original. La Violence Politique

Editions France-Empire,1978

Edição portuguesa. Lello & Irmão. Abril de 1981 


A violência política engloba qualquer ato, agressão ou ameaça — física, psicológica ou simbólica — utilizada para coagir, silenciar ou atingir objetivos de poder. Manifesta-se através de guerras, repressão de Estado ou ataques de extremistas, afetando a estabilidade democrática e os direitos humanos. 
1. Formas de Manifestação
  • Violência de Estado: Uso da força por entidades governamentais contra cidadãos ou outros países, incluindo brutalidade policial, terrorismo de Estado e guerras.
  • Atores Não Estatais: Ações de grupos extremistas, terroristas ou rebeldes para desestabilizar governos ou aterrorizar civis. 
  • Violência Institucional e Civil: Agressões e intimidações contra líderes partidários, ativistas ou eleitores durante disputas eleitorais. 
2. Violência Política de Género
Uma das vertentes mais debatidas na atualidade é a violência direcionada a mulheres na política.
  • Objetivo: Excluir, silenciar ou descredibilizar mulheres para limitar o seu acesso ao poder e participação cívica.
  • Práticas comuns: Difamação, perseguição online, ameaças, insultos com viés de género e exclusão de debates.
3. Impacto na Sociedade
A banalização deste fenómeno reduz a pluralidade da representação e fomenta um clima de medo. Quando o conflito legítimo e democrático se transforma em violência física ou retórica agressiva, o debate público é severamente comprometido, ameaçando o livre exercício dos direitos fundamentais

BIZÂNCIO E EUROPA

 

Autor. Speros Vryonis

Este livro foi publicado originalmente por Thames And H, Hudson - Londres com o título "Byzantium And Europe" 

Copyright by Thames and Hudson, 1967

Edição portuguesa: Editorial Verbo 

Tradução de Tomé Santos Júnior

Revisão científica do dr. António Gonçalves Mattoso.

Nº da edição - 481 


Bizâncio (Império Romano do Oriente) foi o grande guardião da herança clássica europeia. Enquanto a Europa Ocidental colapsava com as invasões germânicas, Constantinopla manteve a civilização greco-romana e a fé cristã vivas por mil anos. O seu legado formativo abrange pilares centrais da identidade europeia: 
  • Direito e Justiça: O imperador Justiniano compilou o Direito Romano no Corpus Juris Civilis, que serve de alicerce para grande parte dos sistemas jurídicos modernos na Europa. 
  • Bastião de Defesa: Funcionou como um escudo, contendo as investidas de persas, árabes e, posteriormente, turcos otomanos contra o continente.
  • Influência Cultural e Religiosa: Através da expansão da Igreja Ortodoxa, Bizâncio moldou profundamente a cultura, a escrita e as instituições de grande parte do Leste Europeu (como a Rússia, Bulgária e Sérvia). 
  • Renascimento: Após a queda de Constantinopla em 1453, a fuga de sábios bizantinos para o Ocidente trouxe textos clássicos gregos originais que impulsionaram o Renascimento europeu

DEZ DIAS QUE ABALARAM O MUNDO

 

Autor. John Reed

Com uma nota introdutória de V.I. Lénine. Um prefácio de N.K. Krúpskaia e uma introdução john Howard Lawson  

1967 - By International Publishers

Editor. Edições Avante 5ª edição. 

Lisboa. 19 de Julho de 1982 

 

Os Dez Dias que Abalaram o Mundo é uma reportagem sobre os frenéticos dias que se viveram na Rússia em 1917, desde o fim do czarismo, passando pelo governo provisório de Kerenski, até ao triunfo da revolução social bolchevique. Disponibiliza vários documentos - decretos, proclamações, panfletos, etc. -, apresenta vários testemunhos dos soldados na frente de guerra, dá voz ao povo anónimo - soldados, operários e camponeses - e aos mais proeminentes líderes das várias fações e partidos políticos - dos bolcheviques aos conservadores -, assim como relata algumas das mais interessantes e difíceis discussões por que passou o processo revolucionário.

HISTÓRIA DAS IDEIAS REPUBLICANAS EM PORTUGAL

 

Autor. Teófilo Braga

Colecção Documenta Histórica. Editorial Vega -Ano de 1983 

«Identificando República com democracia, Teófilo faz entroncar na origem das ideias republicanas em Portugal todos os factos, pessoas ou teorias que de algum modo contribuíram para o enfraquecimento do poder real. É assim que, no campo externo, vai buscar todas as revoluções que na Europa, sobretudo em França, levaram à implantação da República e, no campo interno, realça o papel das revoluções liberais de 1820 e 1836. Assinala também a influência do positivismo de Augusto Comte (...). Desenvolvendo-se sobretudo a seguir ao aniquilamento da Comuna de Paris, o positivismo pregava a ordem e o progresso, a conciliação das classes, estabelecendo uma hierarquia de dependência necessária entre elas e condenava os métodos revolucionários do jacobinismo. (...) Os republicanos portugueses centraram a sua acção na questão política, evitando aprofundar a questão económica. Lutavam essencialmente pelo derrube da monarquia, a quem atribuíam todos os malefícios, pela separação da Igreja e do Estado (...) e pelo estabelecimento de uma democracia formal, assente no sufrágio universal, na livre expressão do pensamento e na descentralização administrativa.»* 

*  — in prefácio de Manuel Roque de Azevedo.

FARSA DE INÊS PEREIRA, de GIL VICENTE ( Edição escolar )

 Autor. Albano Monteiro Soares

( Estudo, análise, notas, vocabulário e questionários )

Porto Editora. Outubro 1996

 



A Farsa de Inês Pereira (1523) é uma comédia de costumes de Gil Vicente baseada no provérbio "Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube". A obra critica os casamentos arranjados e a ambição social, retratando a emancipação feminina através da ironia e da astúcia. 
Resumo do Enredo
  1. Aspiração: Inês vive oprimida pela mãe e anseia casar para ganhar liberdade. Recusa pretendentes rudes, mas com bons princípios (como Pero Marques).
  2. Primeiro Casamento: Casa-se com Brás da Mata, um escudeiro fidalgo, presumido e falido que se revela um marido tirano, proibindo-a de sair de casa. 
  3. Desfecho: Após um caso extraconjugal do escudeiro e a sua morte em combate, Inês fica viúva. Casa-se então com Pero Marques, que aceita todas as suas vontades e a deixa livre para se encontrar com o seu amante (o ermitão), saindo ilesa e vitoriosa no final. 
 Personagens Principais
  • Inês Pereira: Jovem rebelde, sonhadora, preguiçosa e astuta. Evolui de uma ingénua oprimida para uma mulher calculadora e emancipada.
  • Mãe (Mãe de Inês): Representante do pragmatismo popular. Aconselha a filha a casar com segurança e sensatez.
  • Brás da Mata: O escudeiro. Símbolo da falsa nobreza, da aparência e da opressão.
  • Pero Marques: Lavrador pacato, ingénuo, rico e submisso. Representa a segurança valorizada no provérbio.
  • Lianor Vaz: A alcoviteira que articula casamentos e traz intrigas, ajudando a avançar a ação.
Edições Escolares e Estudo
Para o programa do Ensino Secundário, estas edições são excelentes guias de estudo:
  • Coleção Educação Literária: A edição da Porto Editora e a da Fnac incluem o texto integral, notas de vocabulário e questionários.

ESTUDOS HISTÓRICOS E ECONÓMICOS. ( II Volume ) AS PÓVOAS MARÍTIMAS

 

Autor. Alberto Sampaio

1ª edição. Julho de 1979

Documenta Histórica - Editorial Vega 

 

  


As Póvoas Marítimas» obra-prima, sobre as origens da nossa aventura marítima, ficaria, infelizmente, inacabada, que Alberto Sampaio viria a revelar, em toda a plenitude, o seu excepcional talento para a investigação histórica, afirmando-se como pioneiro da história económica em Portugal.

Morreu em Boamense, a 1 de Dezembro de 1908. Em 1923, por iniciativa do seu amigo Luís de Magalhães, a Livraria Chardron publicou parte da sua obra sob o título «Estudos Históricos e Económicos».

 

"As Póvoas Marítimas" é uma obra fundamental do historiador e economista português Alberto Sampaio. Publicada originalmente de forma póstuma no século XX (reeditada em volumes de Estudos Históricos e Económicos), é considerada um estudo pioneiro que investiga as origens da vocação marítima e da economia costeira de Portugal.
O estudo debruça-se sobre:
  • Origens Marinheiras: Analisa as comunidades costeiras e a evolução da navegação no Norte de Portugal, traçando a génese das atividades marítimas portuguesas antes e durante a época dos Descobrimentos.
  • História Económica: Destaca-se por ser uma das primeiras análises aprofundadas a cruzar a geografia e os recursos económicos com a evolução social e institucional das "póvoas" (povoações com estatutos jurídicos próprios).
  • Contexto Regional: Foca-se fortemente na faixa litoral minhota e nas suas dinâmicas de pesca, comércio e transformação social

O MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO

 

Autor. C.E.R.M. (Centro de Estudos e de Pesquisas Marxistas)

 1ª Edição. 27 de Fevereiro de 1974

Seara Nova - Lisboa 

Esta recolha de textos, não inclui o trabalho de Ferenc Tokei ( La Pensée. nº 114, Abril de 1964, p p. 7-32 ) que constitui parte de um trabalho mais vasto publicado em França sob o título. " Sur le mode de production asiatique ", Budapeste. Akademial kiado. 1966 

Colecção. Universidade livre. 

Edições Serara Nova. Ano de 1974 


O Modo de Produção Asiático é um sistema socioeconómico da Antiguidade baseado na agricultura irrigada, dependente de grandes obras estatais (sociedades hidráulicas). Caracteriza-se pela ausência de propriedade privada, onde o Estado (controlado por reis teocráticos) é dono das terras e explora a mão de obra de camponeses em regime de servidão coletiva.
 Origem e Sociedades Hidráulicas
O termo foi formulado pelo filósofo Karl Marx para descrever as primeiras civilizações estatais que surgiram nas margens de grandes rios, onde o clima árido exigia controle rigoroso da água. Exemplos notáveis incluem:
  • Egito Antigo: ao longo do Rio Nilo.
  • Mesopotâmia: entre os rios Tigre e Eufrates.
  • Índia: vales dos rios Indo e Ganges.
  • China: bacia do Rio Amarelo.
Estrutura Política e Social
  • Estado Teocrático e Despótico: O poder estava centralizado nas mãos de um líder (como o faraó no Egito) considerado um deus ou representante divino. O governo era absolutista, sem espaço para contestações. 
  • Sociedade Estamental: ( A a palavra “estamento” vem de “estado” ou “status”. Esse conceito descreve geralmente a Idade Média e a organização feudal na Europa) A mobilidade social era inexistente ou muito restrita. A pirâmide social era encabeçada pelo monarca, seguida por nobres, sacerdotes, burocratas (escribas), guerreiros, comerciantes, camponeses e, em menor escala, escravos.
Economia e Trabalho
  • Propriedade Estatal: A terra não pertencia a indivíduos, mas sim ao Estado.
  • Servidão Coletiva: A principal base de trabalho não era a escravidão (como na Grécia ou Roma), mas sim a servidão coletiva. Os camponeses trabalhavam nas terras do Estado e, durante o período de cheia dos rios, eram obrigados a realizar obras públicas (canais, diques e pirâmides).
  • Pagamento de Tributos: Os trabalhadores entregavam parte significativa da sua colheita como forma de imposto, chamado de corveia real. 
 Dinâmica e Redistribuição
Todo o excedente produzido e arrecadado pelo Estado era centralizado e armazenado. Essa reserva servia para manter a burocracia (sacerdotes, exército e funcionários públicos) e garantir a sobrevivência da população durante períodos de seca ou fome. O comércio era fortemente controlado pelo Estado e voltado para a importação de artigos de luxo.