25/11/2025

EL CAZADOR PRÁCTICO

 Autor. Antonio Briones Parra

Madrid. Ano de 1904

Imprimido por: Ricardo Fé 



El Cazador Práctico. Reproducción, conservación y arte de cazar. Cuadros tomados del natural.

" quando llegan los achaques de la vejez y nos privan de las pasiones, parece que las sentimos más intensamente, y con los recuerdos de aquello que nos agradó formamos un ídolo que se encierra en el tabernáculo de nuestro corazón (... ) *

* Breve extrato do Prólogo 

O CAMINHO

Autor. Miguel Delibes

Edição em língua portuguesa

 Editorial Ulisseia - Lisboa

Ano de 1957 

 

 

 

 

 

 Esta história tem um "sabor" de nostalgia e melancolia; saudades da infância e do tempo que já passou, dos lugares e das pessoas que marcaram nossas vidas, e saudades do que fomos um dia e já não somos .

Daniel é um menino de onze anos filho de um casal humilde, que vive do fabrico caseiro de queijos numa pequena vila rural na Espanha pós-guerra. A história transcorre durante a noite anterior à partida de Daniel, contra sua vontade, para a cidade onde deve prosseguir os estudos conforme os anseios do pai, que deseja que ele seja “alguém na vida”.

O título do livro alude ao caminho da vida. Daniel passa a noite acordado relembrando a sua vida até o presente momento. Vive livre e feliz na pequena vila, em contacto com a natureza e com seus dois melhores amigos e não entende porque deveria mudar. Para ele, estudar  não significa progresso.
 Sente que seu lugar é ali, na aldeia em que nasceu, onde o tempo parece ter parado e onde todos se conhecem por apelidos. Daniel, “el Mochuelo” (o coruja) forma um trio inseparável com os amigos Roque, “el Moñigo” (o bosta) e Germán, “el Tiñoso”(que sofre de "tinha", infecção provocada por fungos que causa perca de cabelo). Daniel lembra-se dos momentos vividos ao lado dos amigos: das travessuras, dos castigos, das competições para provar quem era o mais corajoso, o mais forte.

Os seus pensamentos trazem à memória a descoberta do amor e da submissão que ele nos impõe. A sensação de perder o controle sobre si mesmo: o rubor, a gagueira, a palpitação acelerada, o suor frio e o “embrulho” no estômago.

As lembranças de Daniel revelam indignação com algumas atitudes dos adultos como o mau-humor do pai, que a princípio conversava com ele e contava-lhe histórias, mas que à medida que o filho crescia, foi se distanciando por acreditar que o menino deveria amadurecer sozinho e passou a ficar ensimesmado, preocupado apenas em economizar para dar uma vida melhor ao filho. Daniel conclui que quando as pessoas chegam à idade adulta  adquirem o direito de decidir. As crianças, que tem o ímpeto e a coragem para decidir, são obrigadas a deixar que os adultos decidam por elas.

Daniel questiona a prepotência do professor que aplica castigos humilhantes aos alunos; comove-se com a bondade do padre, a quem considera um santo; revolta-se com as  mesquinharias das beatas da aldeia que se acham melhores que os outros, e diverte-se com a companhia dos amigos.

Daniel admira Paco, pai de Roque. Paco é ferreiro, homem robusto e simples, que criou o filho sózinho após a morte da esposa no parto. Daniel vê nele as qualidades que considera principais no homem: a força física e a valentia.

Ao lidar com a morte do amigo Germán, “el Tiñoso”, após um acidente, Daniel perde a inocência e dá-se  conta da efemeridade da vida, de que é apenas uma questão de tempo para que a morte chege a cada uma daquelas pessoas e a ele próprio, e que a passagem do tempo apagaria todos os vestígios da geração que ele conheceu.

Daniel não deseja ir estudar para a cidade porque sabe que não está a despedir-se  apenas das pessoas e do lugar, mas também da infância.

LA CAZA EN ESPAÑA

 Autor. Miguel Delibes

Edição em formato de livro de bolso. Ano de 1993



 Se trata de un conjunto de ensayos –”La caza en España, “La nueva codorniz”, “Las tablas de Daimiel” y “La caza hace un siglo”–, alguno de ellos muy breves. El primero y más extenso, que da título a la obra, había sido publicado en 1968 como introducción al libro colectivo “Alegrías de la caza”, editado originalmente en francés en 1966 y traducido por el propio Delibes y su hijo Miguel. En él Delibes aborda temas relacionados con la caza pero también cuestiones ecológicas como la conservación del medio y los peligros de extinción de algunas especies de la fauna española.

LA CAZA DE LA PERDIZ ROJA

 Autor. Miguel Delibes

 Edição. Ano de 1996 


La caza de la perdiz roja» es una breve y deliciosa obra publicada primero como texto independiente, con fotografías de Oriol Maspons, en 1963, e incorporada posteriormente a la edición de “Viejas historias de Castilla la Vieja” que hizo Alianza Editorial en 1969.

En forma de diálogo entre el Barbas, un viejo y avezado “perdicero”, y el Cazador, el propio Delibes, se van glosando, en boca de uno y otro, toda una serie de reflexiones y comentarios sobre la caza y su ejercicio, al tiempo que se hace una clara denuncia de las prácticas abusivas o de la progresiva desaparición de la caza libre.

No son pocas las preocupaciones y críticas –plasmadas en esta obra- sobre la ruptura del equilibrio ecológico y su repercusión en la caza, que acabarán por convertirse en una constante de la literatura cinegética delibeana.

24/11/2025

OS SANTOS INOCENTES

 Autor. Miguel Delibes

Título original. Los Santos Inocentes

Edição em idioma português.

Editorial Teorema. Ano de 1991 


Sinopse

Os Santos Inocentes conta a história da família do personagem Paco, el Bajo, camponeses paupérrimos que vivem  num latifúndio na região de Estremadura, na Espanha, no período da ditadura franquista, pós-guerra civil.

Paco, el Bajo, é casado com Régula e tem 3 filhos: Las Nieves, um menino chamado Quirce e uma menina deficiente mental, chamada La Niña Chica, uma criança que não conseguia ficar em pé, comer sozinha e falar, somente dar alguns gritos esporádicos.

O cunhado de Paco, el Bajo, é Azarias o personagem principal da obra. Também, deficiente mental trabalha  num latifúndio na Andaluzia. O dono das terras  manda-o  embora, porque  Azarías tem o costume de urinar nas mãos, para que  não gretassem com o frio, além de defecar em qualquer lugar.

Sem ter para onde ir, Azarías vai morar com a irmã – Régula na Estremadura.

Los santos inocentes - Azarías
Cena do filme " Los Santos Inocentes " de Mario Camus.

O protagonista tem uma verdadeira devoção por pássaros, ao passo que adota uma águia, que  cuida como se fosse uma criança dando-lhe comida. Chama-a  de: “Milana, bonita!” Assobia -lhe  e a ave aparece para receber carinho e comida.

Os diálogos entre os personagens são poucos,  não demonstram contrariedade e tampouco contestam. Paco, el Bajo, diz para a sua filha: “Ver, ouvir e calar”. Tudo é narrado  na  terceira pessoa por um narrador onisciente.

Quando a família de Paco, el Bajo, chega para trabalhar no latifúndio, Dom Pedro solicita que Las Nieves comece a servir na sua casa. Paco, el Bajo, e Régula sonham dar estudos  a Las Nieves e Quirce, porém, com a solicitação de Dom Pedro, o desejo vai por água abaixo.

Nesse diálogo, não vemos em nenhum momento uma proposta salarial, por parte de Dom Pedro, ou seja, a família trabalha em troca de comida e habitação.

A resposta que o casal dá ao patrão é sempre a mesma: “Sim, senhor, é para isso que  aqui estamos. ” Nada é contestado ou negociado, simplesmente baixam a cabeça a tudo.

Los Santos inocentes - cena da família
Cena do filme " Los Santos Inocentes " na qual vemos  a família de Paco, el Bajo.

O filho de Dom Pedro é o senhorito Ivan,  sendo um costume  local chamar de senhorito ao filho do patrão. Um rapaz mimado que trata os empregados com total desprezo.

Mirian, filha de Dom Pedro, é completamente alienada da situação miserável em que vivem os empregados.

Um dia quando passeava  com sua mãe, Azarias  arrasta-a  para mostrar-lhe a Milana, bonita. Quando a rapariga entra na casa,  assusta-se com a extrema pobreza do local e ainda porque  La Niña Chica começa a gritar de maneira assustadora.

Los santos inocentes - Azarías e Mirian
Cena de "  Los Santos Inocentes ". Azarías mostra à Mirian a Milana, bonita.

Com o início da temporada de caça , senhorito Ivan ordena para que Paco, el Bajo, seja seu secretário  ( mochileiro ), cuja função será recolher a caça.

“Y el señorito Iván  apresenta-se cada vez más implicativo, e de pior humor:

-No puedes moverte un poquito más rápido, Paco? Si no te das prisa, te van a robar los pantalones.”

Um dia, Paco, el Bajo, cai e fere-se  na perna. Mesmo assim, Ivan continua a insistir com o empregado debilitado e quase incapaz de prosseguir a jornada de caça. Por fim e sem outra alternativa acaba por levá-lo   ao médico, que  lhe engessa a perna e receita  repouso.

Senhorito Ivan continua, apesar disso, a insistir com  Paco, el Bajo, para que  o acompanhe, pouco se importando com a saúde do empregado. A partir daqui a narrativa terá os seus desenvolvimentos.  

O autor escreveu a obra em 1981, como denúncia das péssimas condições de vida da população rural espanhola.

Miguel Delibes ao escrever Los Santos Inocentes inspirou-se nos meninos assassinados a mando do rei Herodes, que esperava encontrar  Jesus entre eles.

Miguel Delibes dá esse nome à  obra, comparando os personagens, que são pessoas sem livre-arbítrio, portanto, sem pecados como as crianças assassinadas por Herodes.

A família de Paco, El Bajo, carece de tudo: Não possuem nenhuma propriedade e não tem autonomia nem para decidir se os filhos estudam ou trabalham. 

Essas pessoas são consideradas como propriedades de Dom Pedro, a quem acreditam dever a vida. No campo das ideias, essa mentalidade de devoção ao senhor foi responsável pela perpetuação da ditadura franquista, pois, esses trabalhadores não contestavam nenhuma figura de autoridade, seja o patrão, ou a Igreja.

O personagem do senhorito Ivan representa a mentalidade tacanha da elite rural espanhola, que apoiou Francisco Franco e tratavam os empregados como servos.

Fica a dica de uma obra excelente, que trata do ambiente rural espanhol e das condições dos trabalhadores. Obra importante para refletirmos a respeito da liberdade de escolha, que as pessoas possuem em determinadas situações, além, das relações de poder no ambiente de trabalho atual. 

Miguel Delibes

Miguel Delibes  nasceu em Valladolid na Espanha em 1920 e faleceu na mesma cidade em 2010. Foi escritor, jornalista e membro da Real Academia Espanhola desde 1975, até sua morte.

As suas obras giram em torno dos desvalidos da sociedade, como em: El Camino (1950), La hoja roja (1959), Las ratas (1962), Mi idolatrado hijo Sisí (1953) e Cinco Horas con Mario (1966)


DIARIO DE UN CAZADOR

 

Autor. Miguel Delibes

15ª Edição. Setembro de 1997

Prémio Nacional de Literatura. Ano de 1955

 

 

 1955 

 


Fotografia de Miguel Delibes

Miguel Delibes Setién, Valladolid, (1920-2010), caracterizou-se por ter uma produção literária carregada de uma perspetiva irónica, da qual aproveita para denunciar as injustiças sociais e criticar a pequena burguesia. No entanto, a sua obra não se reduz a mera denúncia social, mas aprofunda-se na rememoração da infância e na representação dos hábitos e falas típicos do mundo rural, muitos dos quais recuperou para a literatura. Considerado um dos grandes escritores espanhóis contemporâneos, a sua obra recebeu inúmeros prémios, incluindo o Nadal, o Príncipe das Astúrias, o Prémio Nacional de Letras Espanholas e o Cervantes.

 Sinopse

Lorenzo trabaja de bedel en una escuela, mantiene a su madre, tiene las ideas muy claras sobre muchas cosas y en los ratos libres, y todos los domingos durante la temporada, va de caza. Contempla el mundo con su lúcida inteligencia de muchacho de pueblo y se cuenta a sí mismo las cosas que pasan sin pensar en la posteridad. Su existencia, aunque estrecha y humilde, está tamizada por un optimismo beligerante y una clara conciencia de su dignidad. Frente a los sinsabores cotidianos está siempre la caza, que le llena el alma de gozo desde la elección de los cartuchos al regreso con las piezas incluso en los días de fiasco.  Delibes consigue con Diario de un cazador Premio Nacional de Literatura 1955 una obra extraordinaria, divertida a menudo hilarante y conmovedora, y convierte a Lorenzo en uno de los personajes más intensos y más de carne y hueso de la literatura española.