Titulo da edição original. Stiff - The Curious Lives of Human Cadavers
2023 by Mary Roach
Tradução. Marcelo Oliveira
1ª edição. Setembro de 2006
Edição -A Esfera dos Livros. Lisboa
A morte não tem necessariamente que ser aborrecida. É isso que nos mostra A Vida Misteriosa dos Cadáveres. Num tom por vezes perturbador, na maioria das vezes irónico e humorístico, a autora avisa que não se trata de desrespeitar os mortos, mas sim de contar a história dos feitos notáveis que alguns corpos, ou partes
deles, conseguiram alcançar depois de mortos.
Uma mulher a comandar a fina flor da gatunagem de um país pode parecer, à primeira vista, uma impertinência de misógino. Tudo muda, porém, de figura quando sabemos quem eram os ladrões mais famosos de Portugal em meados do século XIX e descobrimos a famosa " Marechala do Crime ", uma mulher muito esperta e activa que se viu forçada à " reforma " , depois de cumprir cinco anos de degredo em África, por " sugestão " do Tribunal de Aveiro, decidiu passar no respeito das circunstâncias a " conselheira " e orientadora técnica dos " amigos do alheio ". O inicio da carreira criminosa desta famosa ladra situa-se por volta de 1860.
As duas imagens, aqui apresentadas à direita, correspondem a uma actualização do assunto que foi tema do livro. Trata-se de uma reportagem inserida num suplemento do jornal " Correio da Manhã " do mês de Fevereiro de 2025.
A criminalidade de um país (e, menos ainda, a sua violência) não pode
confundir-se com a imagem que dela apresenta a estatística judiciária.
Seja qual for o campo em que pretenda incidir, a estatística é um
trabalho de «construção», a que seria absurdo atribuir «o poder de dizer
a realidade». Assim, ao debruçarmo-nos sobre a estatística judiciária,
não é inútil interrogarmo-nos sobre o que ela encobre ou exclui: Quem
escapa à polícia? Quem, uma vez preso, escapa à justiça? Quem, uma vez
julgado, escapa à prisão, etc.? Num contexto histórico em que a
estatística era chamada a estabelecer o «estado moral» da sociedade, já o
autor do nosso primeiro grande estudo de estatística criminal precisava
não poderem as estatísticas «servir para só por elas se aquilatar o
grau de moralidade de um povo», que mais não fora por causa de todos os
que a elas escapam - «uns porque o acto que praticam não é juridicamente
considerado como crime e outros porque de várias formas se eximem à
expiação da pena imposta pela lei»
Morreu o Inspector Varatojo, que nunca quis fazer disso uma profissão
Carlos Pessoa
Foto de J.P.L.
Homem de muitos ofícios e actividades, deixa o nome ligado à divulgação do policial em Portugal
Artur Francisco Varatojo, mais conhecido como
Inspector Varatojo, faleceu no sábado no hospital de Santa Cruz, em
Carnaxide (concelho de Oeiras).
Tinha 80 anos, feitos em Agosto passado.
O funeral realizou-se ontem à tarde para o Cemitério dos Prazeres, em
Lisboa.A sua faceta mais conhecida, popularizada pela rádio, televisão e
imprensa - só para o jornal A Capital escreveu ao longo de 17 anos uma
rubrica intitulada O Crime Visto Por -, foi a de criminologista e
divulgador do policial.
"Durante muito tempo pensei mesmo que ele era
inspector, tal a forma como dominava os assuntos" respeitantes à
criminologia e à técnica policial, disse ontem à Lusa o médico Gentil
Martins.
Nascido a 21 de Agosto de 1926, em Lisboa, Varatojo foi um
homem de muitas actividades e ocupações ao longo da vida, umas mais
conhecidas do que outras. Formou-se em Ciências Económicas e Financeiras
e, mais tarde, em direito, obtendo o curso superior de Medicina Legal.
Mas foi sucessivamente aferidor de contadores da antiga Companhia das
Águas (actual EPAL), funcionário da Câmara Municipal de Lisboa,
comerciante, produtor de rádio e de televisão, economista e
publicitário.
É autor de mais de duas dezenas de livros de divulgação
policial, com destaque para ABC do Crime (seis volumes). Registou
também uma presença regular e duradoura na televisão, tendo apresentado
na RTP os programas ABC do Crime (sete anos) e Selecção Policial (oito
anos). Realizou ainda algumas incursões, porventura menos conhecidas,
pelo campo da banda desenhada, sendo nomeadamente argumentista de A Ala
dos Namorados (desenho de José Manuel Soares), publicada na revista
Cavaleiro Andante, em 1956.
"Há duas facetas de Artur Varatojo que
são importantes. Fica-se a dever-lhe a divulgação do policial, sobretudo
através do programa de rádio o Quinto Programa. Por outro lado, e
graças às antologias que coordenou, foi o responsável pela chamada de
atenção para as problemáticas de investigação criminal (balística,
impressões digitais, etc.)", afirma Luís Pessoa, coordenador da secção
Policiário do PÚBLICO.
Fã de Jack, "O Estripador"
Apesar da
sua ligação ao mundo policial, raramente participava nas tertúlias
policiárias, recorda Luís Pessoa, que evoca a paixão de Artur Varatojo
por Jack, "O Estripador", sobre o qual fez investigações e a quem
consagrou um livro.
Detective é profissão que nunca teve nem quis
ter. "Gostaria, sim, de investigar casos, mas polícia nunca, porque a
partir do momento em que descubro o criminoso passo a ter pena dele",
confessou em 1990 ao Diário de Lisboa.
Também nunca escreveu qualquer
romance policial, pelas razões que explicou na mesma ocasião: "Tenho
muita dificuldade em fazer isso porque li muito e livros muito bons.
Para escrever um romance teria que achar que ele era melhor do que os
que eu li."
Nota. Sob estas linhas estão oito livros, ou seja, uma colecção
completa de obras, coordenadas por Artur Varatojo, nas quais se
demonstra uma realidade portuguesa, em que, o crime, é « figura central »
Foi um espanhol nascido em 1810 em Santa
Gertrudes de Samos, bispado de Lugo, na Galiza e morto em 1841 em Cais
do Tejo, Lisboa.
Sendo ainda muito novo veio viver para Portugal, em Lisboa.
Ficou conhecido sob o pseudónimo do Assassino do Aqueduto das Águas
Livres devido a que foi neste lugar onde cometeu numerosos crimes dentre
os anos 1836 até 1839, crimes que em primeira instância foram
atribuídos como suicídios seriais.
Foi descoberto em 1840 pelo assassinato de quatro pessoas de uma mesma família cuja casa assaltou.
Também conhecido com “O Pancada”, Alves se escondia no Aqueduto na
espera de pessoas para assaltar no passeio ao ar livre localizado sobre a
Ribeira de Alcântara.
Logo do roubo, o galego atirava suas vítimas do topo do Arco Grande
com 65 metros de altura, com o objetivo de não ser denunciado.
Por causa dos crimes praticados por Alves, o caminho do Aqueduto
permaneceu fechado ao público desde 1853. Na atualidade é possível
fazer o percurso deste trajeto através de passeios guiados.
Percurso Criminal de Diogo Alves
Segundo as pesquisas da justiça, Diogo Alves começou a onda de
delitos instigado pelas exigências de dinheiro feitas pela sua namorada
Gertrudes Maria, natural de Mafra, taberneira de profissão e conhecida
como “a Parreirinha”.
Com o fim de satisfazer os pedidos de sua companheira, Alves que até
então atuava sozinho no mesmo local em horários de pouco movimento,
decidiu conformar um bando de criminosos para atacar as pessoas que
frequentavam o Aqueduto entre as seis horas da manhã até às dez da
noite.
Cabeça de Diogo Alves (Autor: Luísa, L*)
O bando foi formado por cinco bandidos conhecidos por seus
pseudónimos como Beiço Rachado, Pé de Dança, Enterrador, Apalpador e
Pancada, sendo este último o próprio Alves, chefe do grupo de
salteadores. A partir da formação da quadrilha o método de homicídio
mudou da queda nos arcos para a asfixia.
Ao longo desse tempo os criminosos não foram descobertos cobrando a
vida de mais de setenta pessoas, até que um deles, o Beiço Rachado foi
preso, denunciando aos outros cúmplices, mas sem conseguir apresá-los.
A banda teve de mudar de local para os seus atos criminosos devido ao
fechamento do Aqueduto e só em 1841 Diogo Alves é capturado pelo
assalto e a massacre de quatro pessoas de uma mesma família. Diogo
Alves foi condenado à pena de morte e os outros companheiros foram
condenados a degredo perpétuo, só o bandido conhecido como Pé de Dança
recebeu uma pena menor de dez anos.
Interesse Científico e Literário na História de Diogo Alves
Logo de realizado o enforcamento de Alves, o professor José Lourenço
da Luz Gomes médico português que estudava a ciência da Frenologia,
interessou-se pela história do criminoso, solicitou o pedido formal à
justiça portuguesa para que concedesse a autorização da decapitação do
corpo e o posterior estudo de sua cabeça decepada outorgando a permissão
desta pesquisa para o Gabinete de Frenologia da Escola Médica-Cirúrgica
de Lisboa.
Logo obteria também a cabeça de outro célebre criminoso, a de Matos
Lobo, para os mesmos fins de análise científica sobre a origem da
maldade, mas sem conseguir resultados definitivos.
Atualmente sua cabeça se encontra no Teatro Anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
A sociedade de Portugal ficou profundamente impressionada com esta
ocorrência, fato que originou a escrita do livro Os crimes de Diogo
Alves, do jornalista e escritor de textos de ficção, Francisco Leite
Bastos, nascido em Lisboa no ano de 1841 e falecido em 1886 na mesma
cidade.
Publicado em 1877 com grande sucesso, demonstrou que o público em
geral ainda estava interessado no caso. Tempo depois em 1911 se
estrearia no Porto o primeiro filme mudo de ficção titulado igualmente
“Os crimes de Diogo Alves” pelo realizador João Tavares. Este filme foi
perdido e só recentemente recuperado.
Desde o ano de 1846, a pena capital começou a ser transformada em
prisão perpétua. Já para o ano de 1852, seria totalmente abolida. *
Coimbra 1890
“(...) Uma lucta sangrenta de odios politicos degenerou na vindicta
particular e no desenfreamento do crime. Eis o que mostra este livro.
(...)”
" Pretendi, ao escrever êste livro (…) por em relevo o que as torturas, os
suplícios, a pena de morte, numa palavra, tem de deprimente e de
improfíquo. Mais nada. (…) Esforça-se por ser salutar. Deseja evitar que
para castigar crimes, se perpetuem outros iguais, se não maiores, com
longa premeditação e alucinantes preparativos». "
Este não é mais um livro sobre a investigação do desaparecimento
de Madeleine McCann. Este é o livro do investigador principal
do processo, que foi atacado e vilipendiado quando se encontrava
apenas em busca da verdade e da justiça.
Ninguém, à excepção dos
pais de Maddie, sabe tão bem o que se passou naquela noite fatídica
de 3 de Maio de 2007.
Gonçalo Amaral escreve na perspectiva da
investigação por si conduzida e tem uma forte preocupação factual
e de objectividade.
Além disso, o livro contém revelações originais
e esclarece muitos dos mais controversos aspectos do caso.
O texto
está apoiado por infogramas e fotografias que facilitam a compreensão
do leitor e ilustram os passos da investigação e da conclusão
obtida - por mais terrível que a mesma seja: Maddie está morta
desde o dia do seu desaparecimento.
Para o autor do livro, Madeleine Beth McCann é a principal preocupação
- é ela a vítima, e são as vítimas que têm de ser defendidas
pela polícia e perseguidos os culpados do seu sofrimento.
Tendo-lhe
sido impossibilitado solucionar o caso, devido ao seu afastamento,
quando se encontrava eminente a recolha de testemunhos vitais,
preferiu abandonar a vida policial activa e retomar a liberdade de
expressão não só para lavar a honra das calúnias que sobre si foram
lançadas, mas para ajudar a que o caso não caia no esquecimento
e a que, mais tarde ou mais cedo, o processo seja reaberto e feita
justiça.*
"
O Diabo, costuma dizer-se, conhece as melhores melodias. Podemos dizer
que é também ele quem tem conhecimento das melhores histórias.
Quer
isso nos agrade quer não, os patifes, os aldrabões e os vadios deste
mundo são geralmente personagens mais interessantes do que os homens
virtuosos. Com efeito, tanto na realidade como na ficção, as acções
deles são mais recordadas que as dos heróis.
Para
o provar reunimos neste livro um grande número de histórias verdadeiras
sobre homens e mulheres cujos feitos, embora não louváveis, prendem no
entanto a atenção do leitor.
Nem todos foram malfeitores ou
criminosos dos chama dos « duros », claro, e alguns deles chegaram a ser
até pessoas simpáticas.
Podemos não aprovar o que fizeram... Mas não conseguimos deixar de os admirar ! " *
ISBN 9789897801341Editor: Oficina do LivroIdioma:
Português Dimensões: 156 x 236 x 21 mmEncadernação: Capa molePáginas: 336
Sinopse
«O
primeiro trabalho clínico que reúne os protagonistas da criminologia
portuguesa, uma viagem ao recôndito das suas mentes perversas, uma
descida às suas doentes e pérfidas motivações. Psicopatas Portugueses
é também um trabalho de Psicologia Forense e procura revelar o quanto o
assassínio é complexo, um fenómeno intricado que ocorre no contexto de
uma imensa multiplicidade de factores pessoais e culturais.»
Os casos: Luísa de Jesus (última condenada à morte em Portugal),
Francisco Esperança (Monstro de Beja), o estripador de Lisboa, Francisco
Leitão (Rei Ghob), etc.
SBN 9789723316490Editor: Editorial EstampaIdioma:
Português Dimensões: 202 x 255 x 22 mmEncadernação. Capa dura
Sinopse
Com
mais de 100 casos verídicos, este livro recolhe histórias de crimes
perpetuados por todo o mundo, incluindo O.J. Simpson, Ted Bundy, John
Wayne Gacy, o Bombista Louco George Metsky, Tommy Lee Andrews, O Caçador Nocturno Richard Ramirez, Jack Unterweger, Lee Harvey Oswald, O Estrangulador de Boston Albert DeSalvo, Jeffrey Macdonald, o bombista de Lockerbie, O Unabomer Theodore Kaczynski e muitos outros.
Incluiu também muitos primeiros casos, como a primeira condenação
por assassínio sem um corpo e o primeiro uso bem-sucedido das análises
de ADN para assegurar uma condenação.
Ilustrado com 200 fotografias a cores e a preto e branco, muitas delas
permitindo vislumbres raros e fascinantes imagens de ficheiros
policiais.
ISBN 9789896261153Editor: A Esfera dos LivrosIdioma:
Português Dimensões: 159 x 233 x 11 mmPáginas: 266
Sinopse
A história de qualquer homicídio é a história das pessoas que
morrem, das pessoas que matam e das que tentam encontrar os
responsáveis pelo crime. São histórias de crimes cometidos por
dinheiro, por ciúme, por loucura. As armas são pistolas, caçadeiras,
facas ou as próprias mãos. Os assassinos são homens e mulheres,
novos e velhos. Desde o pacato cabo da GNR que matou três
raparigas, ao reformado que um dia assassinou metade de uma
aldeia e se suicidou, passando pelo famoso caso da Praia do Osso
da Baleia e pela sucessão de mortes ligadas aos estranhos
negócios da noite do Porto. A psicologia do assassino é um mistério
difícil de desvendar. Mas será que os portugueses têm um modo
especial de matar?
Críticas
«Ricardo Marques traz-nos, através do olhar do jornalista, uma teia
de diferentes homicídios e das formas como a PJ os abordou.
Como resolveu muitos e deixou alguns por resolver. Recupera
memórias recentes, casos de grande visibilidade mediática. Não se
coloca na posição do moralista, hoje muito em voga nalgum
jornalismo de emoções, apenas reconstrói factos sem deles querer
ser juiz ou fazer homilia. É um livro bem escrito. Que nos conduz às
entranhas do homicídio. (…)