Quadros, esculturas, pintura, manuscritos, postais, fotografias, entre outros objetos. Preservo livros, revistas e papéis de valor.
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02/07/2026

OS PAPAS NA IDADE MÉDIA

 

Autor. Geoffrey Barraclough

1ª edição. Agosto de 1972. Nº ed. 752

Este livro foi publicado originalmente por  Thames And Hudson,  Londres com o título " The Medieval Papacy ". 

Copyright by Geoffrey Barraclough, 1968.

Tradução de António Gonçalves Mattoso 

Editorial Verbo. História Ilustrada da Europa 


Na Idade Média, os Papas acumularam o poder espiritual com uma vasta autoridade política, atuando como líderes supremos da cristandade ocidental. O papado moldou monarquias, enfrentou o Sacro Império Romano-Germânico pela supremacia e centralizou a administração da Igreja a partir de Roma.
A trajetória do papado medieval é dividida em três fases principais:
1. Fragilidade e Influência Bizantina (Séc. V – VIII)
  • Subordinação: Durante a Alta Idade Média, os Papas sofreram forte influência do Império Bizântico e precisaram de proteção militar face a invasões bárbaras. 
  • Aliança com os Francos: Para garantir a independência e segurança de Roma, o Papa aliançou-se aos carolíngios (Pipino, o Breve e Carlos Magno), o que resultou na criação dos Estados Pontifícios em 756.
2. A Reforma Gregoriana e a Lisma das Investiduras (Séc. XI – XII)
  • Autonomia: Em 1059, o Papa Nicolau II instituiu que a eleição papal seria restrita aos cardeais, libertando o papado da interferência da nobreza romana e dos imperadores. [1]
  • Conflito de Poder: O Papa Gregório VII (responsável pela Reforma Gregoriana) bateu de frente com o Imperador Henrique IV. Através do Dictatus Papae (1076), ele defendeu que o poder espiritual do Papa estava acima de qualquer soberano temporal. 
  • Cisma do Oriente: Em 1054, a divergência de dogmas e de autoridade dividiu a cristandade, originando a separação entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa. 
3. O Apogeu do Poder Papal (Séc. XII – XIII)
  • O Auge: Sob o Papa Inocêncio III, a Igreja atingiu o auge do seu poder político e espiritual. O Papa tornou-se o árbitro da Europa, interferindo em disputas entre reis e convocando cruzadas.
  • Ordens Mendicantes: Este período foi marcado pela aprovação de novas ordens religiosas, como os Franciscanos e os Dominicanos, que renovaram o fervor espiritual da época. [
4. Crise, Cisma e Declínio (Séc. XIV – XV)
  • Cativeiro de Avinhão: No início do século XIV, o rei Filipe IV da França exerceu forte pressão, forçando a transferência da sede papal para Avinhão, na França (1305–1377).
  • O Grande Cisma do Ocidente: Após o retorno a Roma, a eleição de Papas rivais dividiu a Europa em alianças políticas, com dois ou três pretendentes ao trono de São Pedro em simultâneo.
Curiosidade histórica: Ao longo de toda a Idade Média, a Igreja Católica foi liderada maioritariamente por italianos, destacando-se o Papa João XXI (Pedro Julião, nascido em Lisboa), que foi o único Papa português da história

22/05/2026

A ECONOMIA NA EUROPA MEDIEVAL

 

Autor. Robert - Henri Bautier

Título original.  The Economic Development Of Medieval Europe

Editora original. Thames And Hudson, Londres. Ano de 1971

Tradução de António Gonçalves Mattoso. 

Editorial Verbo. Março de 1973 

 

O livro leva-nos numa viagem pelos cerca de mil anos da Idade Média, mas especialmente a partir do século XI, quando a economia europeia acorda de um longo sono. De repente há mais gente, as terras começam a produzir mais, aparecem técnicas agrícolas que fazem diferença mesmo, e o comércio… ah, o comércio explode!  descobrimos como as famosas Feiras de Champanhe se tornaram um autêntico motor da Europa, um ponto de encontro onde se cruzavam mercadores de Itália, de Flandres, da Alemanha, até do mundo muçulmano e bizantino. Era ali que se trocavam tecidos finos, especiarias, peles, metais, ideias… e dinheiro, claro. Porque o dinheiro volta a circular de verdade, nascem os cambistas que depois tranformam-se em banqueiros a sério, aparecem letras de câmbio, contas correntes rudimentares — tudo isso séculos antes do que normalmente associamos ao “mundo moderno”. Bautier não romantiza: mostra as crises brutais (a grande crise de meados do século XIV, com fome, peste e guerras que abanaram tudo), mas também explica como é que, mesmo depois do caos, a economia consegue reinventar-se e preparar o terreno para o que viria depois. É um livro que muda mesmo a forma como olhamos para a Idade Média. Deixa de ser uma época “escura” para passar a ser uma época de gente esperta, ambiciosa, que arriscava viagens longas, inventava formas de fazer negócio e, aos poucos, construiu as bases do capitalismo que conhecemos.

09/07/2025

FIGURAS DO SILÊNCIO. Do Inter/Dito à Emergência da Palavra no Texto Medieval

 

Autor. Carlos Clamote Carreto.

1ª edição. Novembro de 1996 

Figuras do Silêncio é um ensaio que, embora centrado na literatura, lança assim um olhar globalizante sobre a época da qual põe em evidência a coerência cultural. E fá-lo com uma informação invulgar, pelo meio da qual navega sem perder a geometria dos caminhos que nos mostra e que nos levam a ver como os materiais dos diversos níveis culturais se inter-relacionam, apontando ainda para as variações e diferenças que, na literatura, o silêncio adquire no seu jogo com a Palavra para a aventura da linguagem. Aventura que, veiculada pelas aventuras dos cavaleiros, os desdobra da procura de uma significação para o humano. (...) *

* Breve extrato do Prefácio 

25/09/2024

CANTIGAS OBSCENAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER


 

Autor. Orlando Neves



1ª Edição. Junho de 2004


( Escolhi cinquenta dessas trovas e sobre elas fiz a tentativa de mutação para o português moderno. São versões livres em que procuro respeitar, quanto possível, as rimas originais, a métrica ( não a acentuação ), o ritmo e certas palavras chave de cada verso ou estrofe, embora esteja ciente de que estas transposições e adaptações, inevitavelmente, perdem em desembaraço, frescura e mistério, ganhando, todavia, mais fácil compreensibilidade no nosso tempo. Para as cantigas que deixei de fora, haverá justificações: ou estão demasiado truncadas, perdendo-se o sentido final, ou são de tal modo localizadas na época que nos escapa o significado das verrinas ou, enfim, são desinteressantes no seu todo, sobretudo por repetitivas. ( ... ) *

*Breve extrato de « Breve Nota » a qual faz parte do texto inicial da obra e assinada por Orlando Neves.

As cantigas de escárnio e maldizer fazem parte do período literário chamado Trovadorismo, que em Portugal encontrou expressão entre os anos de 1189 (ou 1198?) e 1350, ou seja, durante o século XI. A principal característica dessas cantigas é a crítica ou sátira . O tom de irreverência é geral. Ridicularizam maus jograis, cavaleiros covardes, e mentirosos; trovadores contam seus casos amorosos; fala-se de mulheres, satirizam-se os ricos-homens decadentes. Apresentam grande interesse histórico, pois são verdadeiros relatos dos costumes e vícios, principalmente da corte, mas também dos próprios jograis e trovadores. Tematicamente, as mais de 450 cantigas de escárnio e maldizer que chegaram até nós.

Cantigas de Escárnio - nessa cantiga, se manifesta a crítica (sátira) indireta e com duplos sentidos a alguém. Escritas em linguagem popular onde são frequentes as palavras e expressões obcenas de duplo sentido, ou seja, através de ambigüidades, trocadilhos e jogos semânticos. Elas têm como objetivo satirizar alguém ou então comentar jocosamente alguma situação, através de um processo denominado pelos trovadores de equívoco.

Eis um trecho da cantiga de escárnio: uma mulher que se queixava de nunca ter merecido um cantar, o trovador responde com uma cantiga em que a ridiculariza por esse desejo. O texto está em português da época:

Ai dona fea! Foste-vos queixar


Porque nunca louv'em meu trobar  (trovar)

Cantigas de Maldizer - esse tipo de cantiga, também traz criticas, ou seja sátiras mais diretas e agressivas, a linguagem por vezes é carregada de termos obscenos, porém não são acompanhadas de duplos sentidos. É normal que ocorra agressões verbais à pessoa que está sendo criticada, ou seja, satirizada, geralmente usa-se até mesmo palavrões para compor esse tipo de cantiga, onde se revela ou não o nome da pessoa que está sendo agredida verbalmente. Seus temas prediletos eram o adultério, amores interesseiros ou ilícitos (padres)

21/03/2024

LINHAS DE RUMO DA IDADE MÉDIA

 



Autor. Léopold Génicot * * Professor da Universidade de Lovaina

 Tradução para o português. Engº Luís Álvares Ribeiro


 

Título da edição original.

 Les Lignes de Faitre du Moyen Áge

Tradução para o português. Engº Luís Álvares Ribeiro

3ª edição portuguesa. 1963

Nº de páginas. 397