Autor. C.E.R.M. (Centro de Estudos e de Pesquisas Marxistas)
1ª Edição. 27 de Fevereiro de 1974
Seara Nova - Lisboa
Esta recolha de textos, não inclui o trabalho de Ferenc Tokei ( La Pensée. nº 114, Abril de 1964, p p. 7-32 ) que constitui parte de um trabalho mais vasto publicado em França sob o título. " Sur le mode de production asiatique ", Budapeste. Akademial kiado. 1966
Colecção. Universidade livre.
Edições Serara Nova. Ano de 1974
O Modo de Produção Asiático é um sistema socioeconómico da Antiguidade baseado na agricultura irrigada, dependente de grandes obras estatais (sociedades hidráulicas). Caracteriza-se pela ausência de propriedade privada, onde o Estado (controlado por reis teocráticos) é dono das terras e explora a mão de obra de camponeses em regime de servidão coletiva.
Origem e Sociedades Hidráulicas
O termo foi formulado pelo filósofo Karl Marx para descrever as primeiras civilizações estatais que surgiram nas margens de grandes rios, onde o clima árido exigia controle rigoroso da água. Exemplos notáveis incluem:
- Egito Antigo: ao longo do Rio Nilo.
- Mesopotâmia: entre os rios Tigre e Eufrates.
- Índia: vales dos rios Indo e Ganges.
- China: bacia do Rio Amarelo.
Estrutura Política e Social
- Estado Teocrático e Despótico: O poder estava centralizado nas mãos de um líder (como o faraó no Egito) considerado um deus ou representante divino. O governo era absolutista, sem espaço para contestações.
- Sociedade Estamental: ( A a palavra “estamento” vem de “estado” ou “status”. Esse conceito descreve geralmente a Idade Média e a organização feudal na Europa) A mobilidade social era inexistente ou muito restrita. A pirâmide social era encabeçada pelo monarca, seguida por nobres, sacerdotes, burocratas (escribas), guerreiros, comerciantes, camponeses e, em menor escala, escravos.
Economia e Trabalho
- Propriedade Estatal: A terra não pertencia a indivíduos, mas sim ao Estado.
- Servidão Coletiva: A principal base de trabalho não era a escravidão (como na Grécia ou Roma), mas sim a servidão coletiva. Os camponeses trabalhavam nas terras do Estado e, durante o período de cheia dos rios, eram obrigados a realizar obras públicas (canais, diques e pirâmides).
- Pagamento de Tributos: Os trabalhadores entregavam parte significativa da sua colheita como forma de imposto, chamado de corveia real.
Dinâmica e Redistribuição
Todo o excedente produzido e arrecadado pelo Estado era centralizado e armazenado. Essa reserva servia para manter a burocracia (sacerdotes, exército e funcionários públicos) e garantir a sobrevivência da população durante períodos de seca ou fome. O comércio era fortemente controlado pelo Estado e voltado para a importação de artigos de luxo.