Organizo e divulgo, aqui, no blogue, algum do meu acervo.Quadros, esculturas, pintura, manuscritos, postais, fotografias, entre outros objetos. Preservo livros, revistas e papéis de valor. Separo, guardo, e deles obtenho informações. No que respeita às antiguidades procuro ser um colecionador e estudioso do passado.

25/05/2026

O MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO

 

Autor. C.E.R.M. (Centro de Estudos e de Pesquisas Marxistas)

 1ª Edição. 27 de Fevereiro de 1974

Seara Nova - Lisboa 

Esta recolha de textos, não inclui o trabalho de Ferenc Tokei ( La Pensée. nº 114, Abril de 1964, p p. 7-32 ) que constitui parte de um trabalho mais vasto publicado em França sob o título. " Sur le mode de production asiatique ", Budapeste. Akademial kiado. 1966 

Colecção. Universidade livre. 

Edições Serara Nova. Ano de 1974 


O Modo de Produção Asiático é um sistema socioeconómico da Antiguidade baseado na agricultura irrigada, dependente de grandes obras estatais (sociedades hidráulicas). Caracteriza-se pela ausência de propriedade privada, onde o Estado (controlado por reis teocráticos) é dono das terras e explora a mão de obra de camponeses em regime de servidão coletiva.
 Origem e Sociedades Hidráulicas
O termo foi formulado pelo filósofo Karl Marx para descrever as primeiras civilizações estatais que surgiram nas margens de grandes rios, onde o clima árido exigia controle rigoroso da água. Exemplos notáveis incluem:
  • Egito Antigo: ao longo do Rio Nilo.
  • Mesopotâmia: entre os rios Tigre e Eufrates.
  • Índia: vales dos rios Indo e Ganges.
  • China: bacia do Rio Amarelo.
Estrutura Política e Social
  • Estado Teocrático e Despótico: O poder estava centralizado nas mãos de um líder (como o faraó no Egito) considerado um deus ou representante divino. O governo era absolutista, sem espaço para contestações. 
  • Sociedade Estamental: ( A a palavra “estamento” vem de “estado” ou “status”. Esse conceito descreve geralmente a Idade Média e a organização feudal na Europa) A mobilidade social era inexistente ou muito restrita. A pirâmide social era encabeçada pelo monarca, seguida por nobres, sacerdotes, burocratas (escribas), guerreiros, comerciantes, camponeses e, em menor escala, escravos.
Economia e Trabalho
  • Propriedade Estatal: A terra não pertencia a indivíduos, mas sim ao Estado.
  • Servidão Coletiva: A principal base de trabalho não era a escravidão (como na Grécia ou Roma), mas sim a servidão coletiva. Os camponeses trabalhavam nas terras do Estado e, durante o período de cheia dos rios, eram obrigados a realizar obras públicas (canais, diques e pirâmides).
  • Pagamento de Tributos: Os trabalhadores entregavam parte significativa da sua colheita como forma de imposto, chamado de corveia real. 
 Dinâmica e Redistribuição
Todo o excedente produzido e arrecadado pelo Estado era centralizado e armazenado. Essa reserva servia para manter a burocracia (sacerdotes, exército e funcionários públicos) e garantir a sobrevivência da população durante períodos de seca ou fome. O comércio era fortemente controlado pelo Estado e voltado para a importação de artigos de luxo.