Autor. Álvaro Guerra.
Edições de « O Jornal » Ano desta edição. 1990
Crimes Imperfeitos
David Castro, figura central de ‘Café Central’ e ‘Café 25 de Abril’ regressa neste romance, de qualquer modo totalmente autónomo daquela trilogia, grande fresco da vida portuguesa desde o início da I Guerra Mundial até ao pós-25 de Abril. Em ‘Crimes Imperfeitos’, viragem e ponto muito alto da obra do escritor, a acção – actual, intensa, às vezes até trepidante – passa de Vila Velha para as metrópoles de várias latitudes, reflectindo uma peculiar visão de um mundo em que avultam as ruínas da utopia.
Biografia
Álvaro Manuel Soares Guerra (Vila Franca de Xira, 19 de outubro de 1936 —
Vila Franca de Xira, 18 de abril de 2002) foi um jornalista, diplomata e
um importante escritor português do século XX.
Formado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; foi fundador do jornal ‘A Luta’ e embaixador de Portugal em Estocolmo.
Combateu na Guerra do Ultramar, mais propriamente na Guiné-Bissau, entre
1961 e 1963. Desde cedo se manifestou contra o salazarismo e contra a
guerra colonial (gabava-se de ter sido dos primeiros autores a escrever
sobre esta guerra). Após um ferimento, regressou a Portugal tendo logo
em 1964 rumado a França, para estudar publicidade na École des Hautes
Études da Sorbonne, onde permaneceu até 1969, evitando as perseguições
da PIDE. Regressado ao seu país, ligou-se ao jornalismo tendo colaborado
no ‘República’ e em particular no Jornal do Caso República existente
entre Maio e Julho de 1975, tendo também participado na fundação de ‘A
Luta’, sempre numa perspectiva oposicionista.
Esta sua atividade jornalistica levá-lo-ia, após o 25 de Abril, à Direção de Informação da RTP. Foi conselheiro do Presidente da República António Ramalho Eanes no primeiro mandato deste, tendo depois abraçado a carreira diplomática, que o levaria à antiga Jugoslávia, Índia, Zaire, Estrasburgo e Suécia.
A 18 de março de 1980, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 7 de fevereiro de 1985 com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Mérito e a 1 de outubro de 1985 com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
Viria a falecer a 18 de abril de 2002, vítima de complicações cardíacas.
Ao longo da sua vida permaneceu sempre muito ligado à sua terra natal e ao elemento cultural que mais a caracteriza, a tauromaquia. A este propósito, afirmou no Congresso Mundial de Cidades Taurinas, realizado em Vila Franca de Xira em 2001, que «A escrita é um desafio, tal como a tourada. Gostaria de fazer da minha vida uma tauromaquia».
Foi um dos fundadores do PS, em abril de 1973, tendo-se afastado daquele partido, embora se tenha sempre mantido nu sua esfera político-ideológica.
Álvaro Guerra (1936-2002) nasceu em Vila Franca de Xira em 1936. Escritor, jornalista e diplomata é um dos grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea. Foi embaixador na Jugoslávia, Zaire, Índia, Suécia e no Conselho da Europa, em Estrasburgo. Trabalhou na renovação do jornal República, dirigido por Raul Rêgo e Vítor Direito, acompanhando-os depois no jornal A Luta. Em finais de 1974 foi director de informação da RTP. Da sua obra vasta destacam-se: Os Mastins, 1967; Café República, 1982; Café Central, 1984; Café 25 de Abril, 1984; Crimes Imperfeitos, 1990; Razões do Coração, 1991; Crónicas Jugoslavas, 1996, Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores, em 1997; e Nos Jardins das Paixões Extintas, 2002.